3 - Foz do Arelho

Município de Caldas da Rainha

Como chegar: 39°25'48.53"N 9°13'33.68"W

Sabia que esta laguna salgada tende a desaparecer um dia?



GEOLOGIA

Junto à localidade da Foz do Arelho encontramos a Lagoa de Óbidos, um enorme espelho de água com quase 7 quilómetros quadrados. Há cerca de 20.000 anos, na última glaciação, a lagoa não existia como a conhecemos. O nível do mar estava a mais de 100 metros abaixo do atual. Desde então, este nível tem vindo a subir. A lagoa resultante desta subida era maior que a atual e estendia-se para além da localidade de Sobral da Lagoa.

Nos últimos milhares de anos, a Lagoa de Óbidos tem diminuído. Os vários cursos de água que nela desaguam têm perdido caudal e estão a assorear. Ao mesmo tempo, as ondas e o vento costeiro têm empurrado as areias da praia para o interior, fechando a baía. Este processo natural acelerou a partir da Idade Média, devido à desflorestação, agricultura e abertura de valas.

Para evitar o fecho definitivo da laguna, que impede a circulação das águas e as torna estagnadas, a barra é aberta artificialmente e algumas áreas são dragadas. Estas ações apenas resolvem temporariamente a situação. Em poucos séculos, a laguna deverá ficar muito pouco profunda e acabará por se transformar numa área pantanosa.

 

BIOLOGIA

O ecossistema desta laguna é muito rico, beneficiando da comunicação com o mar, a qual permite a entrada de peixes, moluscos ou o Ouriço-Do-Mar-Comum (Paracentrotus lividus), animais de água salgada.  É também um local único para a observação de várias espécies de aves, como o flamingo (Phoenicopterus roseus) e o Maçarico-Das-Rochas (Actitis hypoleucos). 

No areal e nas zonas mais interiores é possível identificar várias espécies de plantas autóctones em Portugal, como o Goivinho-da-Praia (Malcolmia littorea) ou Funcho-Marítimo (Crithmum maritimum).

 

CULTURA

Em 1892, o vapor inglês Roumania naufragou perto da Foz do Arelho, a 20 milhas da costa, vindo de Liverpool para Bombaim. A bordo do navio seguiam 115 passageiros, dos quais só oito se salvaram (2 oficiais britânicos e 6 tripulantes indianos). Após o naufrágio, a população correu para o areal e roubou a carga deste navio que deu à costa. Nos trabalhos de recuperação realizados em 1963, foram recolhidos do porão sacos com vários tecidos, máquinas de costura e ainda carris e uma locomotiva desmontada.