9 - Baleal

Município de Peniche

Como chegar: 39°22'24.9"N 9°20'24.0"W

Sabia que esta ilha foi terra de sal e de baleeiros?

 

GEOLOGIA

A ilha do Baleal e os seus ilhéus são constituídos por camadas calcárias com fósseis de amonites, belemnites, bivalves e braquiópodes, indicando que aqui existiu um mar tropical e pouco profundo há cerca de 170 milhões de anos (Jurássico médio). Por baixo delas, em profundidade, existem rochas mais antigas, com cerca de 200 milhões de anos, constituídas por argilas com grandes quantidades de sal marinho. Essas rochas, menos densas e mais plásticas, foram pressionadas e “espremidas”, chegando à superfície e arrastando os calcários que estavam por cima. É por esta razão que, neste local, vemos as camadas tão inclinadas para Norte.

A Ilha do Baleal está ligada ao continente por uma estreita língua de areia, a que se dá o nome de “tômbolo”. A ilha funciona como uma barreira à forte ondulação costeira, amortecendo a energia das ondas e levando a que as areias se vão depositando neste local, na sua “zona de sombra”. Estas areias de praia têm vindo a acumular-se, de um modo mais expressivo, desde a Idade Média, quando se podia navegar até à Atouguia da Baleia. Peniche também já foi outrora uma ilha, estando hoje ligada ao continente por um tômbolo com mais de um quilómetro de extensão.

 

BIOLOGIA

O Baleal está inserido numa “Área Importante para a Preservação de Aves e Biodiversidade”, que se estende até ao Cabo Carvoeiro e às Ilhas das Berlengas. Aqui podemos encontrar diversas espécies de aves bem adaptadas aos ambientes costeiros, como as Cagarras (Calonectris diomedea), que nidificam nas berlengas, o Corvo marinho-de-crista, as Gaivotas de-patas-amarelas (Larus michahellis), o Roque-de-castro (Hydrobates castro), o Airo (Uria aalge) ou a Pardela (Puffinus mauretanicus). A vegetação é em geral escassa e rasteira, com alguns tufos de espécies como a Eruca-marítima (Cakile maritima), a Erva-das-azeitonas (Calamintha nepeta) ou a Roselha (Cistus crispus).

 

CULTURA

O Baleal deve o seu nome às actividades relacionadas com pesca e transformação da baleia, que em tempos aqui existiram. Até ao final da Idade Média, o principal porto da região era na Atouguia da Baleia, onde os barcos aportavam e fundeavam. Contudo, para a rápida recepção e transformação das baleias, eram necessários portos mais próximos do mar aberto, tendo para tal sido criadas instalações em Peniche e Baleal. Aí se construíram casas para guardar a madeira e o sal, indispensáveis para as actividades da “baleação”. Desde essa altura e até ao séc. XIX, a ilha do Baleal esteve ocupada essencialmente por cabanas de pescadores e pequenos armazéns.